segunda-feira, 25 de agosto de 2008

A lenta espera


Num país onde se faz festa rija por meio metro de alcatrão e em que ainda há quem ache que o nível de desenvolvimento de uma localidade se consegue aferir pelo número de rotundas, acalento a esperança de finalmente se concretize a prometida aposta na ferrovia.

Não consigo deixar de pensar que estamos a desperdiçar recursos cada vez que vejo o património ferroviário votado ao abandono (estações e apeadeiros emparedados para resistirem ao tempo e ao vandalismo, material circulante a apodrecer acumulado em alguns pontos, linhas a degradarem-se a cada dia que passa, etc...).

Estamos à espera exactamente de quê?


Fotos: entre a Régua e o Pocinho.
Abril de 2008.
@ Luísa Teresa Ribeiro

2 comentários:

Dario Alexandre de Sá e Silva disse...

Nem em Portugal nem em nenhum país do mundo tem sido fácil ou eficaz a re-utilzação de património ferroviário edificado, vulgo "estações e apeadeiros".
Porque a tecnologia veio a dispensar, numa evolução secular, tanta mão-de-obra para fazer circular os comboios, muitos edifícios ficaram sem utilidade funcional. Ferroviariamente falando, deixaram de ser necessários.

E, no caso português, falo de largas centenas de ítens "abandonados". E o que fazer com os "restos" de uma era?
Não é fácil (nem barato, falando na batata quente) manter de pé centenas de casas e armazéns e dormitórios e oficinas para as quais não se encontra outra função ou novos inquilinos.
Há excepções, claro.

Comentando as fotos da Luísa:

1) Bagaúste - é a única estação/apeadeiro da actual Linha do Douro que está - de facto - degradado e, pior, com mau aspecto. neste local existiu uma unidade industrial de tranformação de pirites que fechou há longos anos. A fábrica, uma espécie de adamastor, foi desmantelada em 2006, creio. Também nesse ano, e talvez à boleia da Bola, TODAS as estações e apeadeiros do Douro foram PELO MENOS pintados... é, provavelmente, a linha com melhor aspecto... e para prevenir a tal degradação e vandalismo, vários edifícios foram vedados.

A 2ª foto: SEIXAS, Linha do Minho... devagar começa Seixas... já não carregamentos nem descarregamentos de volumes no apeadeiro de Seixas...

Para reflexão, um dos mais conhecidos casos europeus de perda de uso para uma (gigantesca) estação, CANFRANC.
Já foi uma importante estação fronteiriça entre a Espanha e França. O edifício principal tem uns meros 400 metros de extensão... a Canfrac chegam agora apenas dois comboios por dia....
- http://www.forbidden-places.net/urban-exploration-canfranc-railway-station
- http://www.railfaneurope.net/pix/es/station/Canfranc/pix.html
- http://en.wikipedia.org/wiki/Canfranc

Dario Silva.

Dario Alexandre de Sá e Silva disse...

Perdão as fotos são de Bagaúste e FERRÃO, ambas na Linha do Douro.
Como são bonitas as árvores mas já não se efectuam cruzamentos de comboios no Ferrão...