sábado, 28 de fevereiro de 2009

Comunicação social têm de evitar discriminação dos imigrantes


Maíra Ribeiro fez tese na UM sobre representação dos brasileiros


São sobretudo jogadores que chegam para dar novas esperanças aos clubes de futebol ou mulheres apanhadas em bares de alterne. É desta forma estereotipada e pouco diversificada que os meios de comunicação social retratam os imigrantes brasileiros. Os media têm, por isso, de fazer um esforço para não tratar os imigrantes de forma discriminatória.

Estas ideias são defendidas por Maíra Ribeiro, no âmbito de uma tese de mestrado em Ciências da Comunicação, orientada pela professora Rosa Cabecinhas, na qual se debruçou sobre as representações dos imigrantes brasileiros no jornalismo de proximidade, com o objectivo de suscitar o debate sobre a discriminação e o preconceito nos meios de comunicação social.

A autora da dissertação defendida na Universidade do Minho (UM) concluiu que a discriminação do imigrante também está presente no jornalismo regional, à semelhança do que mostram as investigações efectuadas com os chamados jornais de âmbito nacional.

Maíra Ribeiro sublinha que, «a exemplo de outros grupos nacionais, os imigrantes são representados com um estatuto mais baixo, consequentemente, de menor credibilidade para falar de assuntos “sérios” relacionados à política, economia ou direito», o que contribuiu «para aumentar o silêncio dos imigrantes nos media e na sociedade em geral».

A investigadora refere que «o uso de forma generalizada da nacionalidade, da cor da pele, da religião pode provocar processos sem fim de encadeamento racional, que servem como mecanismo de activação dos estereótipos que cada indivíduo possui sobre determinados grupos ou pessoas».

«A referência nominal ao grupo, neste caso à nacionalidade, funciona como factor de separação dos indivíduos», afirma, sublinhado que «um passo em direcção à integração ou à vida numa comunidade realmente intercultural» será os media tentarem «ver os “outros” como pessoas, seres individuais e sem rótulos».

«Que diferença faz se um brasileiro matou a mulher ou se quem o fez foi um português ou italiano? É sempre um crime, é sempre condenável como comportamento social. Sendo assim, chamar à primeira página “Brasileiro mata mulher” passa a ser irrelevante enquanto informação jornalística», declara.

Maíra Ribeiro pede ainda «uma atenção redobrada para que as generalizações provocadas pelos títulos não distorçam a realidade e acabem por contribuir para uma visão “míope” da sociedade em que se vive». «As informações extremistas e exageradas sobre comportamentos e pessoas podem ser evitadas, e os media deveriam ser parte importante na construção da cidadania, esclarecendo a população com informações fidedignas», alerta.

A autora sublinha também que muitas pesquisas mostram «a discriminação das minorias étnicas nos media e como este processo contribui para a manutenção do status quo». «Cidadãos continuam a ser tratados como “outros” num processo discursivo de marginalização e/ou exclusão», adverte.

[Publicado no Diário do Minho, de 26 de Fevereiro de 2009]

Foto DR

2 comentários:

francisco disse...

Suspeito que essa senhora seja brasileira...

RibeiroM disse...

Sim, a senhora é brasileira e pergunta: o que isso importa com o conteúdo publicado?