Foto © Tokio Hotel
Das reportagens que passaram nas televisões sobre este acampamento sem condições de higiene e segurança houve dois testemunhos que me impressionaram particularmente. Questionada pelo jornalista acerca da reacção dos pais, uma jovem referiu que a mãe exclamou «ai vocês são tão malucas» quando ela a informou sobre a intenção de montar arraiais em frente ao pavilhão, mas acabou por apoiar a aventura, perante os parcos comentários do pai. Já um rapaz dizia que até se sentia «um bocadinho mal» por estar ali porque os pais, que moram em Paris, vinham «de propósito» a Portugal para estar com ele. Apesar desse esforço, o jovem só ia estar com os pais no Domingo de Páscoa, dia para o qual foi acordada uma excepção à chamada diária.
Toda a gente sabe que lidar com adolescentes não é fácil e que esta banda alemã gera histeria em todo o mundo – em Portugal já não é a primeira vez –, mas ainda assim este caso é revelador do estado a chegou a educação. E se juntarmos a este episódio a violência nas escolas, o triste espectáculo das férias dos finalistas do Secundário em Lloret del Mar – que este ano acabaram de forma trágica para um dos jovens – e daqui a algum tempo as cenas degradantes que habitualmente se vêem nas queimas das fitas dos universitários temos razões mais do que suficientes para ficarmos preocupados.
Num tempo em que toda a gente anda muito atarefada, assistimos à desresponsabilização dos pais de uma tarefa que só a eles compete. É mais fácil deixar as crianças e adolescentes fazerem o que querem do que impor regras. Mas este não é seguramente o bom caminho, pois não os prepara para a vida. Estamos a criar pequenos monstros egoístas, incapazes de reconhecer o valor do trabalho e de lidar com as frustrações, porque ainda não aprenderam que nem sempre se pode ter tudo o que se quer, na altura em que se quer. Muitos dos problemas da educação resolvem-se com umas boas palmadas, mas nos pais, para que estes assumam a missão de serem verdadeiros educadores dos filhos.
[Publicado no Diário do Minho, 6 de Abril de 2010]
1 comentário:
As coisas estão, hoje, realmente muito diferentes. Da repressão máxima passou-se ao outro extremo.
Bjs,
M.
Enviar um comentário