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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Chegou a TDT


A informação que existia era que as emissões experimentais da Televisão Digital Terrestre (TDT) avançariam em 10 ou 12 localidades. Afinal, começaram em 29, incluindo Viana do Castelo.

Portugal integra o último lote de países da União Europeia a iniciar as transmissões digitais terrestres, juntamente com Polónia, Roménia, Irlanda, Chipre, Letónia e Eslováquia.

Apesar disso, há questões básicas por resolver, como por exemplo o eventual apoio à aquisição de descodificadores pela população mais carenciada.

As dúvidas acerca do que está em causa ainda são grande, mesmo entre pessoas de faixas privilegiadas a nível de acesso à informação, o que exige repensar a estratégia de divulgação do processo para que TDT não continue a ser sinónimo de Total Desconhecimento de Tudo...

Sobre a televisão digital terrestre em Portugal ver:

TDT

TV Digital em Portugal

TDT em Portugal

Imagem PT

Braga fora do primeiro grupo de localidades com televisão digital


As emissões experimentais de televisão digital terrestre (TDT) começam hoje, mas Braga não faz parte do primeiro lote de localidades contempladas com o novo serviço.

A empresa que ganhou o concurso para a implementação da TDT em Portugal, a Portugal Telecom (PT), tem uma página na Internet, na qual é possível introduzir o código postal e ficar a saber quando é que o serviço está operacional na área geográfica em causa.

O investigador da Universidade do Minho Sérgio Denicoli adverte, justamente, para o risco de as pessoas verem a suas expectativas defraudadas quando ouvirem dizer que já existe televisão digital, mas esta ainda não funcionar na localidade onde residem.

«O Governo deu um prazo de três anos para a empresa vencedora do concurso assegurar a cobertura de 99 por cento da população portuguesa em três anos. A PT estabeleceu um plano com oito fases, prevendo que todo o território, incluindo as ilhas, esteja coberto no final de 2010. Numa primeira fase, haverá a cobertura de cerca de 30 por cento da população», explica o doutorando em Ciências da Comunicação, que mantém o blogue TV Digital em Portugal.

O especialista relembra que 2012 é a data apontada pela Comissão Europeia para o denominado “switch-off” ou “apagão analógico”. Isto significa que, nessa altura, vai deixar de existir a televisão terrestre analógica, em que o sinal é eléctrico e chega pelo ar através de ondas de radiodifusão, sendo captado por antenas. Por isso, até lá, quem tem esta televisão vai ter de se adaptar para passar a receber televisão terrestre digital, que possui a mesma linguagem dos computadores. Durante este período, vão coexistir os dois sistemas.

Na prática, a mudança significa que as pessoas vão ter de trocar os aparelhos que não tenham capacidade para receber o sinal digital ou de comprar um descodificador para cada televisão que possuírem. «A TDT só afecta quem tem televisão por antena. Quem tem televisão por cabo, satélite ou IPTV não terá de fazer qualquer adaptação», refere.

Dados do Observatório da Comunicação (Obercom), divulgados em 2008, indicam que 56,3 por cento dos portugueses recebem televisão através de antena, 8,3 por cento têm TV por cabo (analógica e digital) e 5,4 por cento acedem através de outras tecnologias, tais como o satélite e o DSL.

[Versão de artigo publicado no Diário do Minho, de 28 de Abril de 2009]

Imagem do cronograma da PT

Nem todos os aparelhos funcionam


O investigador da Universidade do Minho Sérgio Denicoli alerta para o facto de comprar um novo televisor não ser tarefa fácil. O doutorando em Ciências da Comunicação assegura que há à venda aparelhos com o selo a indicar que funcionam com TDT, mas na verdade não funcionam com o sistema que foi adoptado em Portugal.

«Em Portugal, a tecnologia escolhida foi o MPEG4, enquanto em alguns países foi o MPEG2. Alguns aparelhos que estão a ser vendidos com o selo TDT estão preparados apenas para MPEG2, pelo que não vão funcionar em Portugal», adverte.

Para evitar as confusões, a PT lançou um selo específico para os aparelhos que cumprem as regras técnicas para emitirem TDT em Portugal.

A outra opção é comprar um descodificador, mas também neste âmbito a tarefa não é simples, nem barata. «Inicialmente, o descodificador deverá custar entre 100 e 150 euros. Mas se as pessoas quiserem gravar os programas e ter acesso a outras potencialidades da TDT terão de optar por um descodificador mais caro», assegura o especialista.

«Quase metade da população tem televisão por subscrição. A metade que não tem, é provavelmente aquela que não pode pagar. Porque é que estas pessoas vão desembolsar 150 euros para terem praticamente o que têm agora?», interroga.

O presidente da PT, Zeinal Bava, referiu recentemente que a caixa vai ser subsidiada «para certos segmentos de mercado», mas «não explicou como será esse subsídio, nem quando é que ele será colocado em prática».

Sérgio Denicoli faz referência ao caso italiano, país em que os descodificadores foram oferecidos. Depois das queixas dos operadores de cabo e satélite em relação a esta medida do primeiro-ministro Berlusconi, o Governo decidiu subsidiar todos os aparelhos para a recepção de sinais digitais em todas as plataformas e o investimento nesses aparelhos alternativos à TDT passou a ser dedutível no IRS.

«Portugal é um dos poucos países da Europa que lançam a TDT sem nenhum tipo de vantagem com grande relevância para o telespectador. Com a TDT, as pessoas vão ver o que viam na analógica, embora com a possibilidade de verem no ecrã o guia electrónico da programação», explica o doutorando do Departamento de Ciências de Comunicação.

A novidade seria a existência de mais um canal, mas os dois projectos apresentados foram chumbados pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social e o processo segue agora nos tribunais.

As interrogações continuam também em relação à televisão digital de âmbito regional, que vai ter acesso pago, alvo de um concurso autónomo, pois ainda nada foi definido.

Sérgio Denicoli sublinha que a grande questão que se põe actualmente é o que fazer com o dividendo digital: «Quando se desligar o sinal analógico, vai-se libertar espaço no espectro para outro tipo de serviços, como a transmissão de dados via Internet móvel».

[Publicado no Diário do Minho, de 28 de Abril de 2009]

O que é isso?!

O que é isso de TDT? Quando é que vou poder ver em minha casa? Vai haver alguma diferença em relação ao que há agora? Vou ter de deitar ao lixo a televisão que tenho? O Governo vai dar subsídios para comprar os novos aparelhos? Onde é que há informações sobre isso?

Estas são algumas das questões que surgem quando se pergunta às pessoas o que é que sabem sobre a televisão digital terrestre (TDT), que começa amanhã as emissões. As respostas obtidas num mini-inquérito feito pelo DM confirmam as preocupações manifestadas pelo investigador Sérgio Denicoli acerca do desconhecimento que existe sobre esta matéria.

«A TDT teve de ser implementada em Portugal apressadamente por causa do atraso que existia no processo. A televisão digital vai ser lançada sem que as pessoas saibam do que se trata, sem que tivesse havido uma campanha de esclarecimento. A população deveria ser envolvida», afirma.

Portugal faz parte do último lote de países da União Europeia a iniciar as transmissões digitais terrestres, juntamente com Polónia, Roménia, Irlanda, Chipre, Letónia e Eslováquia.

Em relação ao (des)conhecimento que a população portuguesa tem sobre esta matéria, dados do Observatório da Comunicação (Obercom), divulgados em 2008, indicam que 83,7 por cento das pessoas nunca ouviram falar de televisão digital terrestre.

[Publicado no Diário do Minho, de 28 de Abril de 2009]

terça-feira, 24 de março de 2009

A Televisão e as Crianças


O estudo “Um ano de programação para crianças e jovens na RTP1, RTP2, SIC e TVI”, elaborado pelo Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho para a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), é apresentado hoje em Lisboa.

O trabalho, coordenado por Sara Pereira, é lançado no âmbito da conferência "A Televisão e as Crianças", que decorre no Auditório 3, da Fundação Calouste Gulbenkian, a partir das 11h00. O programa pode ser encontrado aqui.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Felisbela Lopes lança «obra de referência» no estudo da televisão


Paquete de Oliveira assina prefácio do livro



O Provedor do Telespectador considera que o livro "A TV do Real - A Televisão e o Espaço Público", da docente do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho Felisbela Lopes, é uma obra de referência no estudo dos "media" e particularmente da televisão como dispositivo tecnológico e como fenómeno na construção e (des)construção da sociedade contemporânea».

Paquete de Oliveira defende que a leitura do livro que agora foi lançado pela Minerva Coimbra «é um precioso "mapa" orientador de uma discussão mais fundamentada e baseada em argumentos decisivos, sendo que «provavelmente a televisão é um dos assuntos que mais se discute em Portugal».

O académico afirma que «vêm aí tempos difíceis para a televisão em geral e sobretudo para a televisão dita generalista e transmitida em sinal aberto». «A bem dizer, todos os operadores televisivos caminham para ser temáticos. TVI e SIC têm em grande parte a sua programação reduzida não a uma temática, mas a um "género" fixo, a telenovela», acrescenta.

Em seu entender, neste cenário, resta, porventura, «ao papel de uma televisão, com o estatuto de serviço público, manter uma programação generalista, ainda que reconvertida em programação temática em diferentes plataformas e canais».

Não advogando um jornalismo para o serviço público de televisão e um jornalismo para as estações privadas, Felisbela Lopes defende que «poderá haver uma programação informativa que será mais específica dos operadores públicos».

Pensar a TV com alguma distância do corrupio das imagens

Felisbela Lopes explica, no início do livro "A TV do Real - A Televisão e o Espaço Público", que «de tão presente no nosso quotidiano quase não damos pela sua presença, mas a televisão lá está, comodamente instalada em nossas casas, abrindo diante de nós um mundo que também é assim porque ela existe».

«Pelo pequeno ecrã temos acesso àquilo que de mais importante se passa à nossa volta, mas a construção audiovisual da realidade também redesenha o mundo que temos. Há, pois, aqui um movimento circular entre televisão e sociedade que nos pede que, por momentos, pensemos este binómio com alguma distância do corrupio das imagens e dos sons audiovisuais», afirma.

A publicação, estruturada em três capítulos, apresenta a parte teórica da tese de doutoramento que Felisbela Lopes defendeu na Universidade do Minho. A parte da análise da informação semanal dos canais generalistas portugueses, entre 1993 e 2003, foi publicada, em 2007, no livro "A TV das Elites", pela Campo das Letras.

O primeiro capítulo centra-se no lugar que a televisão ocupa na sociedade. «Para além de ser uma instância (re)produtora de um acervo de conhecimentos, a TV poderá igualmente ser uma impulsionadora de novas formas de vida e promotora de elos sociais», escreve.

No segundo capítulo, a investigadora reflecte sobre questões como: Que papel terá a TV no espaço público? Será que redesenha novas fronteiras? Que modelos a sociedade actual fornece ao pequeno ecrã? Será que as emissões criam uma nova realidade ou recriam aquilo que está fora do pequeno ecrã? E o que é que encontram no ambiente exterior?

«Para além de ser um importante meio de configuração social da realidade e de envolver substanciais índices de audiência, a televisão generalista apresenta cenas mediáticas que se assumem como importantes espaços públicos (mediatizados). É através dessas formas televisivas de publicitação da vida pública e privada que se institui um presente social através do qual se introduzem na consciência quotidiana acontecimentos/problemáticas diversas», pode ler-se na publicação.

No último capítulo, a especialista perspectiva a informação «enquanto campo de responsabilidade social e enquanto espaço onde o espectacular tem lugar».

Mais sobre estas questões na entrevista de Felisbela Lopes:

Televisão pode estar a estrangular o espaço público

Seria muito positivo que o quinto canal fosse do Norte

Assuntos do registo emocional exigem cuidado ético acrescido

[Publicado no Diário do Minho de 25 de Dezembro de 2008]

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Séries de televisão na base de reflexão sobre o corpo


Carlos Magno (jornalista), Isabel Pedroto (médica) e Regina Guimarães (escritora) juntam-se hoje, a partir das 21h30, no Theatro Circo, em Braga, para conversar sobre a exploração do corpo e da imagem e o impacto que a televisão tem na percepção de vida, morte, saúde e medicina.

O ponto de partida do debate “Corpo e Imagens em Séries", moderado por Guilherme Macedo (médico), é o visionamento de quatro pequenos excertos de “Dr. House”, “Serviço de Urgência”, “Anatomia de Grey” e “CSI”.

O evento insere-se na iniciativa “O Corpo e a Imagem: visões interiores”, dinamizada pelo Serviço de Gastrenterologia do Hospital de São Marcos, que visa sensibilizar a população para a necessidade de diagnosticar precocemente doenças do aparelho digestivo. A assessoria de imprensa está a cargo da LPM Comunicação.

Imagem DR

terça-feira, 19 de agosto de 2008

O melhor e o pior deste Verão

Há algumas semanas que não via televisão a horas “normais”. Hoje vi, no Jornal da Noite, da SIC, uma rubrica que me pareceu chamar-se “O melhor e o pior do Verão”. Pelo ecrã desfilaram fotos de criancinhas, de homens a posar para a fotografia, camelos a olhar para a porta de autocarros e afins. Onde é que podemos votar para a eleição do pior do Verão?

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Desporto deve fazer parte do serviço público de televisão

Felisbela Lopes defende divisão pelos vários canais


A RTP vai transmitir os jogos da Liga Sagres, o que já motivou o protesto do director geral da TVI. Numa altura em que decorre uma petição pela pluralidade desportiva na RTP, a professora do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho Felisbela Lopes apresenta a sua perspectiva sobre serviço público e desporto.




O serviço público de televisão deve ter desporto?

Sim, deve ter desporto. Deve ter futebol e outras modalidades. No futebol, deve ter os grandes desafios e os outros jogos. O deporto é parte integrante da nossa vida enquanto cidadãos. Se nós gostamos de desporto, porque é que a RTP deve subtrair essa área? Não deve. A visão contrária a esta é demasiado elitista e restrita do que é um serviço público. A televisão de serviço público não deve ser a preto e branco, direccionada para as elites, com uma programação que ninguém vê. Devemos dar às pessoas aquilo de que elas gostam, mas com conteúdos de qualidade.

Em que canal deve passar o futebol?

Quando estamos a falar da RTP, estamos a falar de vários canais. Os grandes jogos devem passar no Canal 1. A RTP deve bater-se pelos jogos da Selecção, porque são momentos de congregação de nós próprios enquanto nação. A RTP deve disputar esses jogos, podendo ganhar, ou não, essa disputa. Este ano perdeu o Europeu para TVI. Esta estação de televisão limitou-se a transmitir os jogos, sem qualquer enquadramento. Fez muitos cortes publicitários – o que significa que vendeu bem os jogos –, mas esqueceu-se do essencial, que era contextualizá-los. A TVI limitou-se, no final dos desafios, a fazer entrevistas à frente de um painel com marcas publicitárias. Contrastando com esta cobertura, a RTPN fez algo de mais interessante, que foi juntar nas "Noites do Euro", com Carlos Daniel e Luís Freitas Lobo, dois convidados que sabiam de futebol e conseguiam explicar o desenrolar do Europeu.

A RTP deve bater-se com os outros canais pela transmissão dos jogos?

Há tectos a partir dos quais um serviço público não deve ir, porque a RTP não tem muito dinheiro. Com orçamentos tão apertados, ao gastar muito dinheiro numa das áreas, é evidente que as outras se vão ressentir. E quando falamos dos outros sectores, estamos a falar quase de imediato da informação.

E em relação à Primeira Liga?

A RTP deve bater-se pela Liga até determinado tecto, tal como na Selecção. Em relação aos principais clubes, não me repugna que os principais jogos estejam no Canal1, se esse canal tiver uma programação diversificada. O futebol seria, assim, um programa entre outros.

Esses têm de ser jogos de competições internacionais ou jogos entre os grandes? Também se admite um jogo-treino?

Um jogo-treino não é tão admissível como um jogo dos grandes, dos importantes. Um jogo-treino no Canal 1 não será fácil de enquadrar no tal serviço público generalista, destinado a todos os portugueses.

E os outros clubes?

Todos os clubes querem a transmissão dos seus jogos, porque isso significa receitas para eles. Quando os clubes pequenos reclamam cobertura mediática, estão a reclamá-la por uma questão de visibilidade pública, mas também por uma questão de receitas. A este nível, penso que esses jogos não devem ser emitidos em canal aberto, porque já não abrangem um público assim tão diversificado. Porque é que se emite um jogo do Braga ou do Guimarães e não um desafio da Académica ou de outro clube? É muito difícil fazer este equilíbrio. O que a RTP poderia fazer era apostar num formato tipo "Liga dos Últimos" para os clubes intermédios. Poder-se-ia criar um formato regular que repescasse os clubes intermédios, com imagens dos jogos, tal como, num passado recente, fazia o "Domingo Desportivo". Por que não algo deste género para a RTP 2, que é direccionada para públicos segmentados?

Pode-se exigir o mesmo às estações privadas?


Não, porque elas não cumpririam isso. Os canais privados têm grande dificuldade em aceitar regras de engenharia de programação. Eles têm contratos pontuais com marcas e uma engenharia de programação com muitas regras não lhes dá flexibilidade de negociação.

Que avaliação é que faz do cumprimento do serviço público em matéria desportiva?

A RTP poderia fazer mais relativamente às outras modalidades. Elas poderiam ter maior visibilidade no serviço público de televisão. As outras modalidades estão na RTP 2, mas nem sempre nos horários mais adequados.

Eventualmente no Canal 1?

Aí, talvez ao nível dos noticiários. O "Telejornal" poderia dar mais atenção às outras modalidades. Mas se estamos a pensar no canal generalista público para a transmissão de eventos desportivos dessas modalidades, isso já não faz muito sentido. Estamos a falar de segmentos de mercado, pelo que as modalidades de públicos segmentados estarão mais vocacionadas para a RTP 2 ou para a RTPN. E isso pode aplicar-se até mesmo à Volta a Portugal em Bicicleta, só devendo estar no Canal 1 finais de percursos ou algo mítico como a subida à torre.

Os eventos desportivos podem ser pretextos para um trabalho mais aprofundado?

Um evento deste tipo pode fazer com que os programas de entretenimento montem palco num desses lugares, podendo também desencadear outra noticiabilidade nos telejornais. No Europeu, a SIC aproveitou as equipas que estavam no exterior a cobrir o evento para fazerem reportagens no local, como por exemplo do português que trabalha lá fora ou de determinada comunidade.

(Entrevista publicada a 22/07/2008, no Diário do Minho. Foto: Direitos Reservados)

quarta-feira, 23 de julho de 2008

«Ida à casa de banho de um jogador pode ter mais destaque do que um jogo internacional»

Petição pela pluralidade desportiva na RTP assinada, até ontem à tarde, por 1.150 pessoas


«O grande volume de notícias obriga o jornalismo a três opções permanentes: incluir, excluir e hierarquizar a informação. Através delas confecciona os seus conteúdos, que correspondem não só aos interesses do público como aos de cada meio e aos dos diversos sectores da sociedade» (Fontcuberta, 1999: 33).

Estas operações fazem parte do dia-a-dia de qualquer jornalista. É através delas que se escolhem os acontecimentos que vão merecer cobertura, que se pega numa questão para título, que se determina o espaço ou o tempo que as peças vão ter e qual vai ser o seu destaque dentro da edição ou emissão.

O trabalho publicado na edição de ontem do Diário do Minho acerca da petição pela pluralidade desportiva RTP, que já tinha sido destacada no passado domingo no suplemento Tele.Escolha, não fugiu a esta regra. Foi preciso incluir, excluir e hierarquizar, o que implicou deixar de fora algumas questões e destacar outras.

Aqui ficam todas as perguntas e respostas de Carlos Ribeiro (Vimaranes) e Pedro Morgado (Avenida Central), os promotores da petição dirigida ao ministro dos Assuntos Parlamentares e ao presidente do Conselho de Administração da RTP, que visa acabar com «a ditadura dos chamados três grandes» no serviço público de televisão.





Porque é que decidiram avançar com a petição?

Carlos Ribeiro (CR) – A pergunta poderia ser feita de outro modo: “porque é que só agora decidiram avançar com esta petição?”. Efectivamente, já há muito que concordamos – e este é um sentimento generalizado entre os adeptos dos clubes que não entram na esfera dos denominados “grandes” – que a actuação dos canais em Portugal, nomeadamente da estação pública, é deplorável e discriminatória.

Não há qualquer espécie de coerência nas grelhas das mesmas e uma total sonegação de todos os clubes de pequena e média dimensão, inclusive em jogos referentes às competições europeias, onde a representação do país é feita com mérito igual à dos ditos “grandes”, pelo que consequentemente mereceria o mesmo destaque.

Decidimos avançar por estarmos fartos destas discriminações no que concerne à escolha dos jogos a transmitir – chegando mesmo a ser considerado mais importante um jogo particular do que a representação do nosso país em competições internacionais oficiais – e da total discrepância que a RTP faz no que toca a notícias dos diversos clubes.

Esta petição visa, de um modo simples, tentar mudar algo no sistema instalado. Até porque tememos que, se nada for feito, esta diferença de tratamentos apenas terá tendência para aumentar.

Pedro Morgado (PM) – A petição surgiu da constatação de que a RTP confunde “interesse público” com “interesse do público”. Isto sucede no futebol como sucede no andebol, no voleibol e em todos os desportos. Sempre que o ABC é campeão, a RTP não faz mais do que colocar a informação nas legendas do Telejornal. Se acontecer com um dos chamados três grandes há logo entrevistas aos treinadores, aos adeptos e por aí em diante. É uma postura discriminatória e mercantilista da televisão que todos pagamos.

Quantas pessoas já assinaram?

CR – Neste momento [domingo], já ultrapassámos o milhar de assinaturas, mas o mais curioso e o que nos deixa muito satisfeitos é que o crescimento tem sido enorme e por vezes surpreendente, levando-nos a várias actualizações dos nossos blogues no que a esta temática diz respeito.

Quantas assinaturas esperam conseguir?

CR – Não temos em mente qualquer número, apenas queremos mais. Queremos que esta onda de protesto continue a crescer e que seja verdadeiramente nacional. No final se farão as contas.

A mobilização popular só acontece porque se trata de futebol?

CR – Obviamente que o futebol move multidões e é capaz de unir pessoas à volta de determinado tema como talvez outros assuntos não o consigam. Isso tem mesmo a ver com a paixão que gera e – felizmente ou infelizmente – o futebol tem essa particularidade.

No entanto, e mesmo sem que seja capaz de dizer que outro assunto pudesse angariar o mesmo tipo de mobilização entre cidades ou regiões distintas, acho que um tema verdadeiramente transversal é sempre capaz de gerar uma enorme mobilização popular, nomeadamente em cidadãos que vivam mais a sua cidade, como Guimarães, por exemplo, sem menosprezo pelas restantes.

PM – Claro que o facto de o assunto ser futebol é mais mobilizador e demonstra que também há, para lá dos três grandes, muitos adeptos de outros clubes espalhados pelo país.

Que avaliação fazem do serviço público?


CR – Avaliar algo que não existe é complicado. Simplesmente, a estação pública não cumpre, de maneira alguma, aquilo que a lei lhe exige e de uma forma propositada, apenas e só por subserviência aos poderes instalados. E enquanto nada for feito no sentido de o impedir eles vão continuar “cantando e rindo” e “assobiando para o lado” como se nada fosse e ignorando os restantes contribuintes.

Dou um exemplo claro: o Vitória esteve toda esta temporada em luta clara pela Liga dos Campeões e foi totalmente discriminado relativamente aos outros clubes, quer em blocos noticiosos quer em programas desportivos. Imagine-se que o "melhor" exemplo veio da RTPN que, no seu programa semanal de desporto, decidiu recrutar um comentador vitoriano para fazer companhia aos restantes três do costume, a duas jornadas do final.

PM – A avaliação é necessariamente negativa. Tanto a RTP como a RDP têm programas de comentário em que apenas três clubes se fazem representar. As excepções acontecem muito raramente. Nas rádios e televisões públicas, os clubes deveriam ser tratados todos por igual e não como se o campeonato se fizesse a três. É impressionante como uma ida à casa de banho de um jogador durante um treino pode ter mais destaque do que um jogo internacional de outro clube.

Porque é que defendem que o serviço público de televisão deve ter desporto?

CR – A questão nem é tanto por aí. A partir do momento em que o serviço público de televisão inclui desporto na sua grelha, o mesmo terá necessariamente de ser igualitário. Ou seja, se há para uns, terá de haver para outros. As regras da coerência, do bom senso e da democracia assim o exigem.

PM – Porque o desporto é uma actividade económica e de entretenimento relevante e que tem projectado o país internacionalmente. Se se fizer uma pesquisa na Internet, depressa se verifica que há uma relação directamente proporcional entre o número de vezes que a palavra “Braga” é citada em notícias e os sucessos desportivos do clube.

O futebol deve ser tratado individualmente ou integrado no mesmo "bolo" que as outras modalidades?

CR – Logicamente que nesse aspecto também não tenho qualquer tipo de dúvidas: mesmo que o futebol seja aquela que consegue gerar mais receitas e maiores audiências, por uma questão de respeito pelas restantes modalidades, até mesmo em relação àquelas que nos vão dando tantas alegrias, o destaque deveria ser idêntico, principalmente em blocos informativos de desporto.

PM – Na minha opinião, deve ser integrado no mesmo bolo que as outras modalidades dentro das estações de serviço público.

Que espaço deve ser dado ao futebol na RTP? Em que canal?

CR – O espaço e a relevância dados ao futebol devem ser mantidos – ou até reduzidos –, redistribuindo-se os tempos dedicados às competições nacionais e internacionais por todos os clubes que nelas participam.

PM – A escolha do canal será certamente, e na minha opinião, dos seus administradores e daquilo que acharem que melhor poderá cumprir o serviço público de televisão. O espaço terá de ser aquele que os contribuintes reclamam e a procura também, sem tornar como é evidente a estação pública um canal de desporto, que não o é, nem pode vir a ser. Conta peso e medida, para isto e para tudo.

Que diferença se deve ou não estabelecer entre a selecção nacional e os clubes?

CR – Entre os jogos internacionais dos clubes nacionais e os das selecções, simplesmente nenhuma, porque em causa está a representação do país. Mas creio que ninguém se queixará do facto de a selecção nacional ter sempre um destaque mais alargado do que os jogos dos clubes, sem que isso signifique entrarmos em transmissões desnecessárias e até a roçar o ridículo. No entanto, em causa está a diferença de tratamento entre jogos de carácter semelhante, dos ditos grandes e dos outros.

PM – Parece-me que também houve um excesso em termos de cobertura mediática da selecção nacional. É inconcebível que a RTP entre numa lógica populista, transmitindo as viagens de autocarro da selecção tal como fizeram à mesma hora as congéneres privadas. É suposto que a RTP seja uma verdadeira alternativa. Quando embarca na ditadura da maioria, a alternativa esvai-se.

O futebol que passa na RTP deve ser só a Liga Sagres e as competições internacionais? E as outras competições?

CR – Com o aparecimento dos canais privados e da SportTV tornou-se impossível para a RTP continuar a passar os jogos do principal campeonato, por questões de ordem financeira. E creio que assim deverá continuar porque o canal e o Estado não podem entrar em loucuras. As competições internacionais, até por causa dos nossos emigrantes, devem continuar a passar pela grelha da RTP. Mas, mesmo que não passem, tem é de haver igualdade de tratamento no que se refere aos vários participantes portugueses nas provas.

PM – A RTP deve evitar passar jogos amigáveis. É uma espécie de favor que faz a determinados clubes. A RTP não deve competir com as outras estações, embarcando numa lógica de mercado. Se assim for, deixa de fazer sentido pedir às pessoas para pagarem uma televisão pública.

Que critérios propõem para a transmissões dos jogos de clubes (número de adeptos, posição na tabela classificativa, competições internacionais)?

CR – Como já referi, e apenas falando dos jogos internacionais, não há razão alguma para, independentemente do clube em causa – tenha mil ou 10 mil adeptos – os seus jogos não passarem pela estação pública.

PM – O critério da posição na tabela classificativa é um critério válido, mas a RTP deve nortear-se pelos princípios da pluralidade, da representatividade e da proporcionalidade.

A que preço devem ser feitas as transmissões? Deve a RTP competir com as privadas na compra do direitos de transmissão?

CR – A RTP não pode, naturalmente, entrar em loucuras desmedidas que a possam fazer regressar a um passado recente de descontrolo financeiro e por isso, deve ser rigorosa na análise do seu orçamento e até onde poderá chegar. A competição terá de fazer sempre mediante as possibilidades orçamentais do canal. Não pode, obviamente, haver transmissões a qualquer preço. Nem de futebol, nem de qualquer outra coisa.

Acreditam que iniciativas como esta podem ter algum resultado prático?

CR – Não sei se podem, mas devem. A RTP tem responsabilidades acrescidas por se tratar de uma estação pública e, por isso, é seu dever tratar o país por igual e acima de tudo entendê-lo e compreendê-lo, sem que se feche em si mesmo e faça “ouvidos moucos” a este e a outros protestos. Se quer continuar a merecer o epíteto de serviço público, não terá outra opção.

PM – Se a RTP permanecer no seu autismo, teremos todo o direito de exigir que o Estado deixe de nos taxar e poderemos utilizar esse dinheiro para financiar projectos privados que vão ao encontro das nossas necessidades.

Planeiam mais alguma iniciativa?

CR – O mais importante será perceber até onde isto irá chegar. Queremos conseguir o maior número de assinaturas e o devido destaque dos órgãos de comunicação social para este protesto que se quer nacional e fazer chegar isto aos responsáveis da estação pública. Depois se verá.

(Imagens retiradas dos blogues promotores da petição)

terça-feira, 22 de julho de 2008

TV & Futebol

A petição que reivindica pluralidade desportiva na RTP, através da igualdade de tratamento dos clubes de futebol no serviço público, já foi assinada por mais de mil pessoas.

Este protesto foi lançado pelos bloggers Carlos Ribeiro (Vimaranes) e Pedro Morgado (Avenida Central), que explicam as reivindicações num trabalho que hoje assino no Diário do Minho.

A iniciativa é comentada nas páginas do mesmo jornal por Felisbela Lopes, professora da Universidade do Minho com um sólido trabalho sobre a televisão e muito concretamente sobre o serviço público.

Juntamente com Sara Pereira, Felisbela Lopes é coordenadora do livro “A TV do Futebol”, que junta jornalistas e académicos numa reflexão sobre este fenómeno.

A obra divide-se em quatro partes:

1) O planeamento da cobertura do Mundial 2006 nos canais de TV

2) Olhares dos jornalistas sobre o futebol e o jornalismo desportivo

3) Perspectivas académicas sobre o futebol na TV

4) O futebol e a educação para os "media
"

A obra é muito interessante e merece ser lida. Aqui ficam alguns excertos para aguçar o apetite:

«É comum dizer-se que o futebol tem demasiada importância em Portugal Culpa do nosso atraso cultural e da nossa verde democracia, da falta de elites culturais e de outros hábitos de lazer, culpa de uma escolaridade de qualidade discutível, culpa da Comunicação Social que lhe confere demasiado espaço e tempo. Recuso a tese da culpabilidade. Ninguém tem culpa, nem tem de ser desculpar, pela dimensão que o fenómeno atingiu. O futebol é assim porque apaixona povos inteiros e não apenas o português».

Carlos Daniel (pag. 38)


«Se em Portugal se revela facilmente a prevalência da paixão sobre a razão, também se descobre, sem dificuldade, uma razão que não admite um só pingo de emoção. Refiro-me a uma parte da elite portuguesa que não vai à bola com o futebol, apesar de, às vezes, não resistir à sedução da presença nas tribunas de honra dos estádios, porque ali pode despertar alguma atenção da comunicação social e, ainda por cima, lancha ou janta bem».

David Borges (pag. 49)

«Existe o futebol e depois (no sentido de em paralelo), existe o futebol da televisão. Ou, talvez, a ordem seja a inversa. Existe o futebol da televisão e existe também o futebol. Por vezes, ambos são a mesma coisa. Mas nem sempre. O futebol da televisão é aquele que se discute em casa, nos cafés e nas manhãs de segunda-feira. Já não se discute o que não se vê, como há algumas décadas, quando o futebol era ouvido e lido e a palavra de uns quantos ditava a lei. Hoje o futebol é visto. Numa boa discussão sobre um jogo de futebol, pouco conta a opinião de quem observou no estádio ou cita de memoria argumentos, mesmo se suportados pelo mais ilustre dos especialistas. Quem não viu na televisão não sabe».

Luís Sobral (pag. 67)


«A chegada da televisão ao futebol tem como consequência importante o aumento da desigualdade de poder entre os clubes grandes e pequenos ou, pelo menos, a recolocação dessa desigualdade a uma nova escala. Assim, como em tempos anteriores, o desenvolvimento do caminho-de-ferro e de auto-estradas modernas facilitou uma deslocação das fidelidades clubistas de pequenos para grandes clubes – com os habitantes de uma cidade de segunda ou de uma pequena vila a poderem deslocar-se até à cidade maior para poderem observar o jogo da equipa desse local –, agora a televisão não apenas intensifica as possibilidades de desterritorialização da preferência clubista como também valoriza especificamente os desequilíbrios relativos ao número de adeptos por ela tomados por espectadores e por consumidores».

José Neves (pag. 102)

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Órfãos da televisão


O presidente da Associação de Festas de S. João de Braga aproveitou o início do programa deste ano para desafiar «os grandes meios de comunicação social do país a virem a Braga e a divulgarem nas suas notícias as festividades que se realizam em honra ao santo popular». Vítor Sousa fez uma referência particular à RTP, que é paga com o dinheiro dos contribuintes e que, como tal, tem responsabilidades acrescidas.

As queixas da falta de atenção da televisão pública ao que se passa no país são recorrentes e não surgem apenas de localidades que geograficamente ficam distantes dos centros de decisão, como por exemplo Paredes de Coura, cuja Assembleia Municipal aprovou há algum tempo um voto de repúdio pela «deficiente» cobertura que a RTP faz dos acontecimentos e iniciativas do concelho.

Algumas terras já se habituaram a ser notícia apenas e só quando alguma situação dramática acontece, numa tradução prática do critério de noticiabilidade da negatividade, que é referido, com esta ou com outra designação do mesmo género, por praticamente todos os autores que se têm debruçado sobre a matéria.

«Até tremo quando ouço falar em Guimarães. Lá vem borrasca. “Jovem matou cão à dentada”, “adeptos do Leixões acusam adeptos vitorianos de partirem vidros às camionetas” ou “jovem violada no Enterro da Gata”. É por isso que nunca espero ouvir falar de Caldas das Taipas nas nossas televisões, nem imagino a tragédia que teria de acontecer, neste meio, para a vila aparecer nesses canais», escreveu recentemente Alfredo Oliveira.

O lugar de ocorrência dos eventos, o local onde os “media” estão sediados e os centros onde o poder é exercido são outros factores que justificam que determinado assunto seja incluído ou excluído na agenda dos meios de comunicação social. O que se verifica é que existe, muitas vezes, uma concentração excessiva de notícias invariavelmente dos mesmos sítios e com as mesmas pessoas, servindo as idas ao chamado “país real” para preencher a quota de boçalidade que parece ser obrigatório cumprir.

Se é verdade que há razões objectivas para queixas, também é inegável que existe não raras vezes uma obsessão desmedida com o desejo de aparecer na televisão, como se a caixinha mágica desse acesso a uma espécie de Olimpo. E este traço é comum aos anónimos que são capazes de telefonar primeiro para a televisão do que para as autoridades competentes e aos políticos mais sofisticados na criação de pseudo-eventos.


[Reflexão começada no Trio de Rachar e publicada ontem no Diário do Minho]

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Apelo

Que eu saiba, a legislação não obriga a que os cafés e restaurantes tenham de possuir uma televisão (ou mais) de tamanho XXL permanentemente a dar futebol. No entanto, subitamente, tornou-se difícil encontrar estabelecimentos onde não exista tal aparelho. Será que, à semelhança dos roteiros que surgiram após a entrada em vigor da nova lei do tabaco, não é possível tentar fazer uma lista de cafés, restaurantes e afins sem televisões? Eu até já me contento com as espanadas... Obrigada.

segunda-feira, 10 de março de 2008

A ler

Um trabalho sobre a Televisão Digital Terrestre (TDT) que é publicado hoje no Diário do Minho, que tenho o prazer de assinar. Mais explicações aqui.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Governo anuncia novo canal de TV e aposta na alta definição


O Governo anunciou ontem o lançamento de um novo canal generalista de televisão e a aposta na alta definição. Os interessados no novo canal aplaudiram o anúncio feito por Augusto Santos Silva. Os que já estão no mercado nem por isso. Este assunto deu pano para mangas na Agência Lusa, como se pode ver pelas dez notícias que se seguem (que eu me tivesse apercebido). Será que se justifica?


Governo abre concurso para novo canal generalista de TV
O Governo aprovou ontem uma resolução prevendo a abertura de um concurso público para a abertura de um novo canal generalista em sinal aberto na televisão portuguesa, cuja decisão deverá ser tomada até ao fim do ano. Mais

Novo canal de sinal aberto estará definido até meio de 2009
O novo canal generalista em sinal aberto, ontem anunciado pelo Governo, deverá estar definido até meio de 2009, um ano depois do início do concurso para a TDT, disse hoje à Lusa o ministro dos Assuntos Parlamentares. Mais

Governo quer generalizar emissões de TV em alta definição a partir de 2012
O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, afirmou ontem ser objectivo do Governo incentivar todos os canais de televisão em sinal aberto a poderem emitir em alta definição a partir de 2012. Mais


RTP mantém as actuais limitações no acesso ao mercado publicitário

O ministro dos Assuntos Parlamentares afirmou ontem que o aparecimento de um novo canal generalista de televisão em sinal aberto, a partir do próximo ano, não aumentará as actuais limitações da RTP no acesso ao mercado publicitário. Mais

Governo só não abriria um novo canal se houvesse "uma razão muito forte"
O ministro dos Assuntos Parlamentares disse hoje à Lusa que o Governo só não abriria um novo canal generalista em sinal aberto se houvesse "uma razão muito forte que impedisse" o acesso de novos operadores. Mais

Lançamento de novo canal em sinal aberto bem recebido pelos grupos que não detêm televisão
O lançamento de um novo canal em sinal aberto, ontem anunciado pelo Governo, é bem recebido pelos grupos que não detêm televisão como a Cofina e a Controlinveste, mas as estações já existentes admitem que já esperavam a decisão. Mais

Controlinveste reitera intenção de se candidatar a novo canal em sinal aberto
A Controlinveste, que detém metade da Sport TV, considerou hoje que a decisão do Governo de lançar um novo canal generalista em sinal aberto é "uma boa notícia" e reiterou a intenção de se candidatar à licença. Balsemão critica decisão lançar novo canal em sinal aberto em vez de dar prioridade à alta definição. Mais


Cofina congratula-se com decisão do Governo e reforça interesse na nova licença

A Cofina congratulou-se hoje com a decisão do Governo de abrir o mercado televisivo português a um novo canal generalista em sinal aberto, reiterando a intenção do grupo de media em concorrer à nova licença. Mais

Balsemão critica decisão lançar novo canal em sinal aberto em vez de dar prioridade à alta definição
O presidente do grupo que detém a SIC, Francisco Pinto Balsemão, criticou hoje a decisão de o Governo lançar um novo canal generalista em sinal aberto em vez de dar prioridade às emissões em alta definição. Mais

RTP acredita novo canal vai significar "concorrência acrescida"
A administração da RTP acredita que a decisão do Governo em abrir o mercado a mais um canal em sinal aberto trará uma "concorrência acrescida" para todos os operadores, admitindo que já estava a analisar esta probabilidade. Mais

O jornais de hoje também dão destaque a esta questão:

Governo abre caminho a novo canal e à alta definição JN

Quinto canal será decidido em 2009 DN

RTP mantém limites ao mercado publicitário DN

Vem aí o quinto canal Correio da Manhã

Quinto canal generalista começará a emitir no primeiro semestre do próximo ano - Público, pag 8

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

É Natal nas televisões...



Apesar de estar mais por casa nesta época do ano do que é habitual, continuo sem vontade de ligar a televisão. Atida aos quatro canais dos “pobres”, ontem lá fui espreitar a programação de Natal. E continua isso mesmo, programação de Natal, desde os filmes até à informação.

Os noticiários são um calvário. A estrutura dos telejornais da 20h00 da noite de Natal repete-se ano após ano: os mortos na estrada, os directos dos centros comerciais por causa das compras de última hora (quem andou pelo Colombo teve direito a aparecer em mais do que um canal), os gastos com os presentes, a contagem das calorias da gastronomia natalícia, a ceia dos sem abrigo, as festas vistas pelos que têm de estar a trabalhar e depois umas noticiazinhas para encher o resto da emissão.

Depois do Natal lá virá a passagem de ano, também com as mesmas notícias de sempre: os mortos na estrada, a ocupação hoteleira, o bebé do ano... Pelo meio, tal como no Verão, se não houver motivo de notícia, vamos gramar com uma “estória” qualquer explorada até à exaustão. Oxalá não seja a de mais uma criança vítima da confusão dos adultos (pais biológicos e adoptivos ou afectivos) e das trapalhadas do sistema de justiça. Já estamos fartos de casos em que os jornalistas atropelam todas as regras, desde o Código Deontológico ao mais elementar bom senso. Já não há paciência que aguente.